Teatro surdo ocupa a Capela Santa Maria no Festival

  • 23/03/2026
(Foto: Reprodução)
Ao longo dos últimos anos a cultura surda vem ganhando cada vez mais protagonismo no Festival de Curitiba. A 3ª Mostra Surda de Teatro este ano acontece de 3 a 5 de abril, com entrada gratuita, na Capela Santa Maria, região central da cidade. A iniciativa vem se consolidando como um dos principais espaços de circulação da produção artística em Língua Brasileira de Sinais (Libras) no país. Nesta 34ª edição do evento, a mostra reúne oito espetáculos, três deles em estreia nacional, além de duas oficinas e um bate-papo sobre produção cultural. Artistas de Curitiba, Salvador, Fortaleza, Brasília e São Paulo participam da programação, que busca valorizar a autoria surda e ampliar o acesso à arte em língua de sinais. Segundo a organização, a mudança para a Capela Santa Maria representa não apenas uma ampliação de público, mas também um gesto simbólico de ocupação de um espaço historicamente voltado à música e ao público ouvinte, agora ressignificado pela visualidade e pela expressão corporal do teatro surdo. O espetáculo “Sopro da Liberdade”, de Brasília, tem estreia nacional na 3ª Mostra Surda de Teatro no Festival de Curitiba. Divulgação. Curitiba como polo da arte surda Para os curadores da mostra, o diretor e intérprete de Libras Jonatas Medeiros e a artista surda e diretora Rafaela Hoebel, a continuidade do projeto dentro do festival contribuiu para transformar Curitiba em um ponto de encontro da comunidade surda brasileira. Como vocês avaliam o impacto da Mostra ao longo desses três anos? Jonatas Medeiros: A mostra criou uma janela de circulação para o teatro surdo no Brasil, algo ainda raro. Em três anos, mais de 20 obras passaram pelo evento, revelando a força criativa da comunidade surda e fortalecendo redes de artistas e público. Protagonismo e estética surda Nesta edição, a seleção de espetáculos partiu do conceito de “ganho surdo”, que propõe enxergar a surdez não como deficiência, mas como uma experiência cultural e estética própria. O que orientou a escolha dos espetáculos deste ano? Rafaela Hoebel: Priorizamos obras com protagonismo de artistas surdos e dramaturgias pensadas diretamente em Libras. O objetivo foi mostrar que o teatro surdo não é adaptação do teatro ouvinte, mas um campo artístico autônomo, com sua própria linguagem e ritmo. A programação privilegia solos, performances e experimentações cênicas, linguagens que, segundo os curadores, refletem tanto a potência expressiva do corpo sinalizante quanto as condições reais de produção da comunidade surda no país. Inclusão é o tema central do espetáculo “Cangaceira Surda Mara”, de Fortaleza, que integra a programação da 3ª Mostra Surda de Teatro. Divulgação. Público ouvinte Embora seja centrada na cultura surda, a mostra também pretende aproximar espectadores ouvintes desse universo, promovendo experiências sensoriais e estéticas diferentes do teatro convencional. A mostra também tem um papel formativo para o público ouvinte? Jonatas Medeiros: Sim. O público ouvinte entra em contato com outra forma de comunicação e de perceber o mundo. Ao mesmo tempo, os espetáculos incorporam recursos que permitem essa troca, criando um ambiente de acolhimento e aprendizado mútuo. Acessibilidade ampliada e inclusão Uma das novidades desta edição é o reforço das políticas de acessibilidade, com a presença de guia-intérpretes durante toda a programação para atender pessoas surdocegas. A organização também adaptou materiais de divulgação para diferentes níveis de visão e formatos digitais acessíveis. Participantes do “Slam Resistência Surda” se reúnem para celebrar a expressão artística e política da comunidade surda durante a programação da 3ª Mostra Surda de Teatro no Festival de Curitiba. Divulgação. Programação diversa Entre os destaques da programação estão o espetáculo “Sopro de Liberdade”, inspirado na obra da atriz francesa Emmanuelle Laborit, a performance poética “Voz Invisível” e o evento “Slam Resistência Surda”, dedicado à poesia sinalizada. As oficinas abordam desde contação de histórias para crianças surdas até práticas de dança baseadas na percepção vibracional do som, ampliando o caráter formativo do evento. Desafios Apesar do crescimento, os curadores apontam a falta de políticas culturais específicas e de financiamento como um dos principais obstáculos para a expansão da cena surda no Brasil. Quais são os próximos sonhos para a Mostra Surda? Rafaela Hoebel: Queremos garantir sustentabilidade financeira, trazer espetáculos internacionais e criar uma feira de economia criativa surda. A ideia é transformar a mostra em um ecossistema cultural que gere oportunidades contínuas para artistas e empreendedores surdos. Serviço: Mostra Surda de Teatro — 34º Festival de Curitiba Data: de 3 a 5 de abril Local: Capela Santa Maria – Rua Conselheiro Laurindo, 267, Centro Ingressos: Gratuitos, distribuídos uma hora antes de cada apresentação 34.º Festival de Curitiba Data: De 30/3 até 12/4 de 2026 Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85 (mais taxas administrativas). Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h). Verifique a classificação indicativa e orientações do espetáculo. Descontos especiais para colaboradores de empresas apoiadoras, clubes de desconto e associações.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/festival-de-curitiba/noticia/2026/03/23/teatro-surdo-ocupa-a-capela-santa-maria-no-festival.ghtml


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